Ana Carolina Marcos

Pediatra e infectologista infantil, mãe nerd, fã de seriados de investigação,
dependente de chocolate e álcool gel. 

 

Um dia desses, Carol encontrou uma ex-vizinha de infância que perguntou a ela: “E aí? Virou pediatra como você sempre dizia?”. Quase engasgada, Carol disse que sim. Não se lembrava, mas desde pequena queria ter esse destino. “Eu me lembrava que quis ser detetive por um bom tempo, mas não lembrava de querer ser pediatra quando pequena, apesar de ter tido umas 20 bonecas e todas ficavam enfaixadas ou com óculos desenhados nelas”. Em 1995, já adolescente, encantou-se pelo mundo do combate aos vírus e bactérias após assistir Epidemia nos cinemas (reza a lenda que esse filme inspirou centenas de infectologistas pelo mundo – e outras centenas de pessoas ficaram traumatizadas). Sua jornada estava só começando. 

Paulistana nata com sotaque do interior sabe que, quanto mais quer sair de São Paulo, mais presa fica a selva de pedra. Entrou na faculdade de medicina em 2002, na Escola Paulista de Medicina – UNIFESP, depois fez residência médica em Pediatria e em Infectologia Pediátrica, no mesmo local. Ainda na linha da infectologia, enquanto continuava na EPM aprendendo mais sobre infecções, fez pós-graduação em Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar no Ensino do Einstein. Cortou o cordão umbilical com a Escola Paulista apenas em 2014 .”Tive clampeamento tardio do cordão com a Escola, mas ainda pulsa”, brinca – e foi trabalhar como infectologista no Hospital Santa Marcelina de São Paulo. Em 2015, passou no concurso de infectologia pediátrica do Emílio Ribas, onde está até os dias de hoje, cuidando das crianças internadas e também dos alunos e residentes de medicina. Atua também como pediatra no Hospital Infantil Sabará, referência na área, em São Paulo.

Carol teve grande parte de suas experiências dentro dos hospitais. Tentou sem sucesso fazer ambulatórios de pediatria geral, mas sentia que algo estava errado naquele formato, não se encontrava: não conseguia atender em pouco tempo todos aqueles pacientes. Não conseguia só examinar, receitar papinhas e perguntar sobre vacinas. Começou a acreditar que o atendimento ambulatorial não era seu lugar, mas ainda não sabia que existia um mundo humanizado, em que se ouviam as famílias, muito além de pesar e medir crianças, e que isso era possível. 

Foi em 2016, após o nascimento de seu filho Tom, que entrou de novo no compasso da puericultura. Descobriu que a pediatria que conhecia não era suficiente e mudou a forma de enxergar seus pacientes. Acredita que a criança vai bem se os pais estão bem, sendo assim fundamental o cuidado com a família. Tem curso de capacitação em amamentação e de educadora parental em Disciplina Positiva. Aprende mais a cada dia, seu filho é sua maior inspiração e também seu maior desafio. Defensora do uso racional de antimicrobianos, gosta de desvendar infecções misteriosas, de ajudar bebê a mamar e de empoderar famílias para criarem seus filhos de forma respeitosa, consciente, produtiva e segura.