Nívia Gonçalves

 

Psicóloga, padeira e cantora

 

 

Quando criança, Livia era a “adultinha da turma”. Quando não estava cantando e dançando, estava perto das crianças maiores. Enquanto aprendia a cozinhar bolos e doce de leite, vivia seus momentos de introspecção, refletindo sobre o que ouvia nas conversas das rodas de adultos. Ela foi para a escola sozinha desde o primeiro dia de aula e, tão logo aprendeu a ler, já pediu dinheiro para seu pai para comprar os exemplares de “Os 3 porquinhos” e “Chapeuzinho vermelho”, os únicos títulos infantis disponíveis na livraria da pequena cidade de Cambuí, MG, onde nasceu e foi criada.

Aos 13 anos, a menina precoce já sabia que queria ser psicóloga. Naquele tempo, achava que a profissão escolhida serviria para ajudar as pessoas a serem mais felizes. Ela não estava errada, mas não demorou muito para descobrir que, na verdade, era ela quem buscava seu caminho de felicidade e realização por meio da profissão. Esse caminho começou a ser trilhado quando, aos 18 anos, mudou-se para São Paulo, onde cursou a faculdade de psicologia.

Na reta final do curso, Nívia passou a se dedicar ao atendimento clínico de pacientes oncológicos. Chegou até a pensar em fazer um mestrado na área, mas percebeu que tinha outros caminhos a seguir e decidiu passar um tempo fora do país. Quando retornou ao Brasil, sua carreira começou a deslanchar em várias frentes, evoluindo ano a ano. Ela passou num concurso público, cuidou de um serviço de saúde mental, começou a atender num consultório próprio e iniciou um projeto social na área de recursos humanos.

Todos os planos de Nívia giravam em torno de sua carreira. Tudo saía como esperado, até que ela se viu tendo que desconstruir sua vida por inteiro…

Foi quando Luíza chegou ao mundo, numa cesariana razoavelmente tranquila. Mas foi no pós-operatório que Nívia se arrependeu de ter passado pela cirurgia. Ela teve uma infecção séria, ficou dias no hospital e ainda com a nova responsabilidade de cuidar de um bebê. Dois meses depois, já recuperada fisicamente, veio o falecimento de seu pai para deixa-la completamente perdida, “Eu era uma estranha na minha própria pele”, ela conta.

O primeiro contato de Nívia com o universo das gestantes e puérperas foi quando atendia mulheres nessa condição – e foram várias. Mesmo assim, somente com a dureza do seu puerpério, percebeu o que esse período é capaz de causar. “Estudei muito desde que entrei na faculdade, mas poder experimentar essa teoria toda na prática é muito diferente. Se eu não tivesse vivido tudo isso, talvez não conseguisse enxergar a dimensão desse valor”, diz ela.

A experiência a fez se interessar mais por puérperas, e quando Luíza já estava desfraldando, começou a pensar em ter outro filho, mas, dessa vez, de um jeito diferente. Ela queria ter a certeza de que só enfrentaria uma outra cesárea se fosse realmente necessário.

E não foi…

Guilherme nasceu num parto natural hospitalar. Foi uma verdadeira redenção para sanar os medos que a primeira experiência de parto havia trazido. Nem por isso, é claro, o menino deixou de desconstruir os caminhos que Nívia achava que seguiria, como todo filho faz. Ele nasceu uma semana antes do esperado, tempo suficiente para bagunçar todo o planejamento do parto. E foi naquela sala de hospital que Nívia conheceu Vânia Gato.

A pediatra (que não estava planejada) a apresentou a diversas outras mulheres com filhos da mesma idade de Guilherme, a maioria sendo mãe pela primeira vez. As experiências compartilhadas no grupo traziam para Nívia grandes questões do puerpério que a ajudavam a entender melhor o momento que vivia. Momento que resultou num convite de Vania para que ela fizesse parte do quadro de profissionais da Lumos, tanto com atendimentos individuais, quanto com um grupo de pós-parto. “Estou ali como mãe, como profissional, como pessoa… eu sei que contribuo, mas também ganho muito”, comenta Nívia.

O grupo de pós-parto e todas as atividades da Lumos deixaram Nívia à vontade para ter novas ideias. Essa liberdade deu forma a uma outra paixão: a oficina de pães que acontece durante as rodas de bate papo, “o pão gosta de calor, do sol, de crescer. Quando pensei na Lumos, pensei num forno quente, que dá condição para que o pão cresça, para que as pessoas possam se reconstruir”.

No acolhimento da Lumos, Nívia encontrou um espaço para juntar suas paixões ao seu trabalho, algo que nunca esperava alcançar em nenhum outro lugar. “Hoje atendo, cuido dos meus filhos e família, faço pão e canto num coral. Depois de tantas transformações com a maternidade, resgatar algo que seja só seu, é de extremo valor. As rupturas que passei com os nascimentos dos meus dois filhos me trouxeram até aqui – o lugar onde eu deveria estar”.

 

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