Lívia Duncan

 

Psiquiatra de adultos e crianças

 

 

Lívia nasceu no Ceará. Era um bebê de oito meses que chegou ao mundo por uma cesariana de risco. Quando criança, não conseguia se imaginar casada e cuidando de um bebê, queria morar num grande centro, com uma vida frenética dedicada a vários empregos e várias histórias novas – assim como seu pai, também médico.

Ela queria ser como ele. Acompanhava o pai aos hospitais onde ele trabalhava, e em casa fuçava a biblioteca com especial interesse pelos livros de psicanálise.

Formou-se em medicina na Universidade Federal de Alagoas e em Psiquiatria em Fortaleza. De lá, em busca de um novo lugar onde pudesse estudar, trabalhar e viver, decidiu vir para São Paulo e se especializou na Unifesp. Na maior metrópole do país realizou seu sonho de ter uma vida dinâmica. E viveu tão freneticamente que, em apenas um mês, conheceu seu marido; um ano depois passaram a morar juntos; três anos depois resolveram ter um bebê. Lívia desistiu então do doutorado que estava prestes a iniciar.

Médica e casada com um médico, ela não tinha nenhuma dúvida de que queria ter um parto normal e se planejou para que tudo ocorresse com o mínimo de intervenções possíveis, “Eu queria um parto normal, mas nem por isso queria que fosse abraçada a uma árvore ouvindo Enya”, ela brinca, “Mas, até por ser médica, eu sei que um parto normal é clinicamente muito melhor para a mulher e o bebê”, completa.

O que Lívia não podia prever era quão libertadora seria a experiência de um parto natural, na qual a iniciativa parte do próprio bebê. “Entreguei toda a minha vida para aquele momento. ‘Deixa eu conhecer minha filha!’, eu dizia, ‘depois que conhece-la, eu programo minha vida’. Foi libertador sentir que eu não tinha o controle daquela situação”, ela conta.

Lívia, que sempre dedicou uma parte do seu trabalho ao serviço público, já não dispunha mais de tempo para isso. Mas assim que a filha Maria abria os próprios olhinhos, abriam-se também os olhos de Lívia. Agora mãe, ela instantaneamente ampliou seus horizontes para novos estudos e um jeito novo de atender. Ela passou então a dedicar cada vez mais tempo ao trabalho com gestantes e puérperas. A Lumos, que ainda nem existia, começava a se encaixar nessa história…

A amiga, madrinha de casamento e obstetra, Ana Thais Vargas, a apresentou para a pediatra Vania Gato quando Lívia ainda estava grávida. Desde então, Vania passou a ser a pediatra de Maria. Com a criação da clínica, Vânia convidou Lívia para integrar o quadro da Lumos. “Aqui estou entre amigos. Tem muita troca, não parece uma clínica”.

Lívia refuta, no entanto, o termo ‘humanização’ quando o assunto é a medicina. Para ela, isso se trata de um paradigma. “Aquele médico que não consegue fazer um trabalho tão pessoal, que não consegue perceber o outro a ponto de não entender o que ele precisa, é um médico que tem limitações pessoais. Não acredito que isso seja um problema da medicina, é um problema pessoal que chega a todas as profissões”, explica. “Aqui na Lumos a gente propõe atendimento em grupo, coisa rara na medicina. É enriquecedor participar disso com meus pacientes”, ela comenta.

Para ela, a psiquiatria vai muito além de remédio, ela tem uma função terapêutica de entender o ser humano para dar acolhimento e acompanhamento aos pacientes, “Minha função é conseguir ler as histórias de cada paciente para, com ele, planejar uma estratégia terapêutica que faça sentido para cada pessoa”.

Lívia ainda acredita que a promoção da saúde é mais eficaz que qualquer tratamento ou até mesmo prevenção. Ela explica que esse conceito parte do pressuposto de promover ações que melhoram a vida das pessoas agora e no futuro, mesmo que elas não sejam diagnosticadas com nenhum problema ou tendência a desenvolver um problema, “Quando falamos em promoção, pensamos no microssistema. Eu acredito que os microssistemas mudam a sociedade. O apoio da dupla mãe e bebê tem um impacto nas relações das famílias, dos vizinhos e, consequentemente, de toda a sociedade”.

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