Isabele Ruivo

 

Mãe solo e obstetriz

“Minha profissão e a maternidade são as válvulas que me movimentam”

 

 

Aos 17 anos Isabele não tinha certeza de que faculdade fazer, mas já conhecia sua vocação. Bisneta de uma parteira e fruto de um dos quatro partos normais de sua mãe, ela optou pelo curso de obstetrícia da USP. A escolha não era somente a de uma carreira, era também a afirmação do caminho de ativismo que queria seguir. E esse caminho ficou mais evidente quando, aos 21 anos, ainda no último ano da faculdade, Isabele descobriu que estava grávida.

Manu nasceu num parto domiciliar, do jeito que Isabele queria. A experiência de ter um parto em casa a fez querer ajudar outras mulheres a terem a experiência de um parto respeitoso e que preservasse a vontade da mãe.

“A Manu me trouxe vários rompimentos. Com ela veio a vontade de mudar, de me empoderar. Ela transformou a minha vida completamente”.

Isabele continuou seus estudos e iniciou um mestrado em violência obstétrica, mas percebeu que queria mesmo atuar ao lado das gestantes para apoiá-las nos momentos em que mais precisavam. Decidiu então criar um grupo de gestantes em Guarulhos, onde dava aula de yoga e atendia mulheres de baixa renda. Foi acompanhando os partos e participando da vida daquelas mulheres que Isabele se encontrou.

“É muito gostoso, é transformador pra mim, como mulher, poder participar do começo da história de tantas famílias”, diz ela com orgulho.

O trabalho com as mais de 400 famílias que conheceu fez os caminhos de Isabele se cruzarem com os da médica Dolores Nishimura, que a apresentou para diversas outras pessoas do universo humanizado. Ela chegou à Lumos por convite de Vania Gato, no momento da idealização do projeto com o qual se identificou prontamente.

Mesmo tendo seu trabalho mais concentrado no momento do pré-natal, gestação e parto, ela reconhece que o momento mais complicado pelo qual as mães passam é o pós-parto: “Para cuidar bem do bebê, a mãe tem que estar bem. As mulheres não podem sentir que perderam tudo com a maternidade. A Lumos é um projeto de coletivo e de empoderamento da mulher. O parto é só o começo e a Lumos continua junto com as mulheres depois disso também. Estou muito realizada em fazer parte dessa história”.

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